terça-feira, 28 de julho de 2026

Para uma puta poeta

A borboleta que sonhou ser puta
                                                Poeta
E a poeta que,
Durante sua eclíptica,
Desenhou com palavras
O périplo de uma puta
                           Monarca
Nesse bicho-mulher
                         Amálgama
Em palavras prostituídas,
Uma subjetividade orgânica 
Poesia, 
Seda-azul, 
Signos,
Como uma tatuagem biológica
Um chamariz delicado,
Sensível
De viscosidade profunda...

Com aromas, cores e texturas
Sutis, 
Visceral e úmida
Detém da flor seu leite âmbar
Fértil, 
Que envolve e aquece

Live; de verdade é dar-se à 
                                           Vida
Entre outras, entre tantas 
                                          Sentir
Sensações pélvicas, pele, órgãos, 
                              Terra Radical, Chão
Live; entre letras e digitais

Entre pernas e desejos, 
                           Palatais
Y em 10 mil nervos
                            Sensoriais
             Sonha trêmula a borboleta...

domingo, 7 de junho de 2026

Mamãe

Mamãe hoje eu tive medo

Medo de não saber o que responder
Mamãe descobri, vou ter medo até te reencontrar 
Nas velhas coisas que deixei
Aquelas que não ouvi
As coisas que você cismou em  calar.
As coisas e os segredos
Mamãe vc não quis falar
Mamãe dor também se guarda em silêncio?
Ah..., a gente cala pra não chorar
Mamãe, o lamento também cura
Os seus lamentos agora são meus.
E eu guardião do silêncio
Decidi, vou cozinhar...
Foi a comida dos nossos ancestrais
E sua imagem surgiu no vapor
Para me dizer, tenha paciência
Mamãe 
As coisas passam, menos a dor
Falta ar
Falta ar
Falta ar
Faltar...
Mamãe, eu não consigo...
Não consigo respirar...

Mamãe o inhame já cozinhou
E sua imagem surgiu no vapor
Para me dizer, tenha paciência
Mamãe
E eu homem feito tive medo
Medo de nunca mais te encontrar
Mamãe 
Pode ser que eu mate o homem
Com um copo na mão 
No fundo de um bar...