segunda-feira, 22 de abril de 2013

A DECADÊNCIA DO POVO BRASILEIRO:

ou sobre igrejas, botecos e farmácias (parte I)



Três coisas principalmente se proliferam nas pequenas cidades e entorno das grandes cidades como sinal da doença e da decadência espiritual de um povo. São elas as “igrejas”, os “botecos” e as “farmácias”.
Para comprovar a decadência que aqui denuncio não é necessário postular uma tese, exercício de um intelectual, ou ainda, que seja posto em pratica uma investigação científica por algum catedrático; basta que um indivíduo qualquer, dotado minimamente de razão ou discernimento observe e analise com atenção o que acontece nas periferias e mesmo nas ruelas das grandes e pequenas cidades do nosso país.
Enquanto a Europa e todos os países desenvolvidos cada vez mais abandonam as crenças, superstições e religiões, nosso país, ao contrário, parece cada vez mais se aprofundar nas trevas das religiosidades, cultos e superstições que ainda hoje fazem ecoar os resquícios sombrios de um mundo medieval.
Parece que vivemos aqui um retrocesso.
Desde o século XVIII, se não antes para alguns países, a maior parte das nações ocidentais realizou um divórcio, que ‘parecia’ definitivo, entre Igreja e Estado. Todas essas conquistas estão agora sendo postas em risco na América Latina, e particularmente no Brasil.
Isto porque, entre outras coisas, as transformações sociais e econômicas apenas nos trouxeram a ilusão capitalista do sucesso pelo trabalho. O que é certo é que a divisão social e econômica em nosso país criou um abismo que, mesmo hoje com todas as mudanças, ainda é intransponível.
A evidência dessa condição gera desalento e falta de esperança no futuro. O desalento, a falta de esperança na melhoria das condições de vida torna-se o combustível para as crendices, superstições e religiosidades. Pois o que resta a um homem que não consegue ver saída para sua miserabilidade, para suas frustrações, problemas, e doenças, senão a conversão numa crença da salvação da alma. Ora se tudo aqui parece estar perdido, pensa o sujeito, porque não investir no que supostamente ainda me resta? A alma! Este sujeito acaba se tornando um alvo fácil para os “agiotas da salvação”. E assim avança e se ramifica nas periferias das grandes e pequenas cidades um sem numero de igrejas e casa de orações entre outros espaços para o culto da superstição e da devoção.
O homem perdido e sem esperança na vida cultua a esperança de uma outra vida, uma crença no além. Nega e renega seu direito de luta, de subversão da sociedade. Nega e renega sua existência positiva em favor de uma existência negativa, de uma existência no além. Desse modo, se aliena e se torna ainda mais um instrumento da escravidão econômica, visto que não fará frente, não se oporá a exploração promovida pelo sistema, haja vista todas as suas fichas estarem depositadas “num além vida”.
(...)

segunda-feira, 18 de março de 2013

Universidades federais finalmente expostas na Scientific American Brasil



http://adonaisantanna.blogspot.com.br/2013/01/universidades-federais-finalmente.html

Caro professor
Conheci seu trabalho há alguns anos quando pesquisava uma base para meu projeto de mestrado em filosofia da Ciência. Na ocasião, adquiri seu livro "O que é um axioma".
Sobre o artigo em questão, passei por uma experiência que me veio inteiramente a cabeça enquanto lia seu artigo.
Neste ano, me inscrevi para uma vaga como professor de Filosofia da Ciência (num curso de licenciatura em Filosofia) numa instituição particular de ensino superior, apresentei uma aula em que usava o experimento de Michelson e Morley como base para análise dos conceitos de experimento, ciência e  verdade científica, neste sentido havia um entrecruzamento, uma convergência de linhas filosóficas em que entrava em operação a noção semântica de verdade de Tarski.
Humildemente não sei se fiz uma boa apresentação.
Porém o que mais me chamou atenção foi o fato de que ao final de minha apresentação, umas das pessoas que me avaliavam ter perguntado: "e Platão? E Aristóteles? E a Filosofia?
Pareceu-me evidente, naquele momento, pelo teor da pergunta - que as pessoas não consideravam nenhuma relação entre o que eu havia apresentado  e a Filosofia da Ciência. Ainda mais, que tinham uma visão absolutamente ultrapassada do assunto (ela não questionava a falta de diálogo com a tradição filosófica). O que demonstra o abismo existente entre o que se ensina nas Instituições de Ensino Superior e o que se pesquisa em Filosofia da Ciência atual.
Neste sentido, pergunto ao senhor: se as instituições de ensino superior públicas estão defasadas em termos de atualidade do conhecimento em função da falta de qualidade individual dos professores, que dizer da instituições privadas?

Um passo adiante e eis o caminho...



É caminhando que se faz o caminho
Caminhar é errar, pois a vida não tem receita
Os acertos dos outros não nos ajuda, apenas seus erros nos ensina
Erros por erros prefiro os meus, são mais autênticos
São genuínos erros meus...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Canto, do conto do encantado

Já quem olha do continente
Em primeiro avista uma ilha
Só navega quem vive na ilha
Só encanta quem vive a cantar
Indo de barco ou de pé sobre as águas
Caminhante, errante contente
Amantes inconsequentes, para a ilha apontam sua nau


          Jamais deixem de ouvir,
          Encanto duma sereia
          Ser perdido desde menino
          Ser menino sempre encantado
          Canto, do conto do encantado.

          A encantada. 

domingo, 1 de julho de 2012

Espelho para cego?


Preste bem atenção no que vou te escrever...
Porque vou repetir essa expressão por duas vezes
"Sou teu amigo, não teu cúmplice."
Não tenho que concordar com tudo que você pensa, diz e faz.
Você tem muitas pessoas para te bajular, não sou teu bajulador
Se nossa amizade persistir será pela afirmação daquilo que temos em comum
Creio que nossa amizade persistirá porque ela é, e sempre foi baseada numa relação de sinceridade. 
Não poderia ser diferente, não da minha parte.
Por isso reafirmo: sou teu amigo, não teu cúmplice.
Houve muitos momentos em que questionei, em que discordei de suas atitudes, gestos, ações. Quando discordei fiz isto de maneira firme, porém humana e fraterna. Fazendo questão de deixar claro minha posição.
Nossas posições politicas são diametralmente opostas, e dai?...Porém...

Vivemos numa época em que as pessoas não aceitam um NÃO como resposta, não aceitam uma reprimenda, não aceitam terem suas atitudes questionadas.
Qualquer pessoa que discorde é um inimigo.
E o inimigo, o discordante deve ser aniquilado, deve ser eliminado, extinto, exterminado.

Assim, vemos as pessoas sendo mortas em brigas de torcida, em guerras religiosas etc.
Vemos também a hipocrisia  das pessoas quando se espantam diante da violência; mas principalmente quando a violência se torna um espetáculo midiático.
Querem aniquilar o 'outro'.
Se "o inferno são os outros", como dizia Sartre, são também o ponto de referência para nossa existência, o espelho por meio do qual o sujeito vê a si próprio.Desta forma, os outros são nosso espelho.
Vivemos numa época em que o sujeito se destaca por sua capacidade conviver com a hipocrisia, a falsidade, a mentira.
Talvez esta seja a razão "por verem um mundo doente", por verem a si próprios doentes pretendem destruir todo e qualquer espelho, O OUTRO.
Não posso pactuar com esse tipo de atitude. 
Luto numa outra frente.
Meu fronte é outro, pois no cabo de guerra que a civilização humana trava com a barbárie
Me aliei à educação. 
Na tenção que se estabelece entre um novo mundo e sua destruição, tomei o partido da cultura, da civilização, da educação, da construção do homem integral, ecológico...

Nossa amizade sobreviverá se, e somente se, sobre nossas incompatibilidades sobrepusermos nossas empatias.
Noutras palavras, se prevalecer as  qualidades sobre os defeitos, se prevalecer o afeto sobre o ranço.
Enfim, a amizade persiste, se persistir não o ódio, mas o AMOR.


sábado, 19 de novembro de 2011

SANGUE LATINO

Liberta tua consciência, liberta teu corpo...
Livre é aquele que faz de si o que deseja de si...
Fazer a si mesmo é a mais sublime e terrível das artes
Por isso desejo não ser eu todos os dias
Começo pela desconstrução, porque em parte o que chegou de mim até aqui
Foram coisas que também não desejei

Desejo mais de mim, e não poderia ser diferente
Como num velho comercial
Desejo ser sempre mais de 'mim', em 'mim' mesmo...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

"Viver é muito perigoso" (Parte I)

Comentário à frase do personagem Riobaldo.
(Riobaldo; in Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa)



Viver é muito perigoso...
Se esta afirmação fosse atribuída à realidade do mundo animal não veríamos, de parte alguma, grandes objeções. Todos, mais ou menos, concordam: a vida no mundo animal é um perigo. É, em certo sentido, um estar exposto.
No mundo animal, os momentos de tranquilidade são alternados, ou melhor, integrados a uma atividade de vigília constante. Para cumprir esta finalidade e preservar ao máximo sua existência, os animais laçam mão de uma série de recursos e artifícios. A agressividade constitui, sobretudo, um dos instrumentos fundamentais para a preservação de sua integridade e sobrevivência.
Porém, o humano, com seus “pactos”, “contratos” e “convenções” ‘parece’ ter criado um mundo de tranquilidade. “O oceano da tranquilidade”. Será? Nesse aparente mundo ou mundo das aparências, supõe-se não existir mais a necessidade de o homem manter a vigília constante, sua agressividade. Nesse mundo, a preservação do indivíduo virou função do Estado. Os mecanismos de camuflagem, de atração e ataque foram supostamente abandonados, e substituídos pelos “instintos” de solidariedade, de fraternidade, ambos característicos da sociedade moderna. Será?
Contudo, essa tranqüilidade, suposta condição de uma humanidade superior e evoluída, constitui, quando muito uma máscara, persona a serviço da hipocrisia , da inautenticidade; promovida por um ideal de homem que nega sua corporeidade em troca de uma crença niilista, já denunciada por outros.
A própria realidade humana, a esfera humana, a antroposfera engendra em muitos momentos disputas tão acirradas quanto àquelas típicas do universo animal. Aliás, somente no mundo humano é que algumas disputas adquirem requintes de crueldade gratuita.
Mas manter a aparência este é o lema. Os homens, as instituições, religiões, entre outros. Tudo parece estar organizado para esta estranha finalidade: manter as aparências. O cinismo, num sentido precário; a hipocrisia, num sentido geral, sustentam essa “aparente tranqüilidade”.
Riobaldo, personagem do romance GRANDE SERTÃO: VEREDAS de Guimarães Rosa, repete continuamente a frase: “viver é muito perigoso”. Ora ele essa frase é expressa como uma questão, ora como uma exclamação. Viver autenticamente é muito difícil; de fato, muito perigoso.
Não obstante, a mentira possa ser um bom tempero para a tranqüilidade.
Homens como Riobaldo, apartados da sociedade em virtude de sua condição marginal, parecem viver, no entanto, para além dos limites daquela tranqüilidade, a beira do precipício, numa condição de exposição verdadeira, derradeira condição humana. Onde viver é, de fato, muito perigoso. No limite das condições humanas o homem aparece sempre mais autêntico. Porém, essa autenticidade cobra um preço, visto que, nessa condição de absoluta precariedade e fragilidade, a vida demonstre estar sempre por um fio. Esse é o preço cobrado: a consciência plena de si, de sua frágil condição de vivente, do seu “estar ai”. Assim, o homem simples expressando-se também de maneira muito simples perscruta o profundo da condição humana, “a morte sempre iminente”.
Nos limites de suas condições, o homem sempre encontra consigo mesmo, e em si mesmo a oportunidade para uma reflexão profunda sobre sua realidade. É na dura vida de jagunço, percorrendo os sertões mais inóspitos, mais secos que ele encontra a oportunidade para maravilhar-se, para espantar-se diante de si e descobrir o homem...